Deu no jornal carioca O Dia:
"O cantor Agnaldo Timóteo foi condenado pela Justiça Federal, semana passada, a três anos de prisão, por ter se envolvido em confusão com uma aeromoça a bordo de avião da Varig, em 1998. O juiz Alexandre Berzosa Saliba considerou que o ex-vereador colocou a aeronave em perigo. No despacho, no entanto, o magistrado determinou que a punição seja transformada em pena alternativa – ainda a ser definida. O cantor vai recorrer".
O que esse fato tem a ver comigo?
Cliquem aqui para saber.Primavera de 1998. Eu e a minha então namorada - agora esposa - viajávamos pelo Chile numa lua-de-mel antecipada. Ao regressar ao Rio, soube pelos jornais de um fato inusitado mas não totalmente surpreendente.
O cantor e vereador Agnaldo Timóteo(PPB-RJ) envolvera-se em uma confusão num vôo da Ponte Aérea Rio-São Paulo, interrompendo o procedimento de decolagem de uma aeronave da Vasp.
Irritado pelo atraso do vôo, o que o impediria de chegar a tempo de cumprir um compromisso na capital paulista, Timóteo quis descer do avião em pleno taxiamento. O que não seria possível, explicaram-lhe o pessoal de bordo. Houve uma discussão, ríspida e, conforme a acusação, o parlamentar agrediu uma comissária de vôo. O vereador saiu do avião direto para uma delegacia.
O fato teve repercussão instantânea - com destaque na maioria dos principais jornais. Goste-se ou não de sua voz, Timóteo é um cantor popular de inquestionável longevidade.
De lá para cá, sua popularidade decresceu. Frequentemente aparecia na imprensa tendo o nome envolvido em confusões. Virou uma figura folclórica e pouco respeitada. Seu volume de votos caiu. De deputado federal mais votado em 1982, passou a candidatar-se à Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro.
Onde eu entro nessa história?
Na época do episódio eu trabalhava no Sindicato Nacional dos Aeronautas, entidade que representa pilotos e comissários de vôo. O Sindicato não perdeu a chance. Estampou em primeira página uma foto em que Agnaldo aparenta estar algemado, sob o seguinte título: "Passageiro indesejável".
O texto usou como fontes informações da comissária e publicadas nos jornais, mas cometia algumas falhas. Não era um texto rigorosamente informativo - tinha muito de editorial dele, a partir de pressões óbvias da direção sindical.
Sabe-se lá como, o semanário chegou às mãos do vereador. Que entrou com uma ação na Justiça contra a entidade, questionando o conteúdo e o uso de sua imagem. Timóteo argumentava que não agredira a aeromoça.
No ano seguinte, coincidentemente quando eu também estava de férias, um oficial de Justiça apareceu no Sindicato. Queria notificar que o cantor entrara na Justiça também contra os jornalistas que respondiam pela redação do informativo.
O curioso é que eu nem me encontrava no Brasil quando tudo aconteceu!
Meu nome não fora suprimido do expediente durante minhas férias. A justificativa não foi aceita pela Justiça e eu tive que ir a duas audiências, ficando cara a cara com o cantor.
O processo não deu em nada. E agora, apesar de eu não ter produzido o informativo, não posso deixar de expressar minha satisfação ao conhecer a sentença da Justiça Federal. Tarda, sim, mas nem sempre falha.